Viagens passadas, presentes e futuras

Granada - Muito além de Alhambra

Depois de um dia na estrada pelos Pueblos Blancos (leia AQUI nosso roteiro), chegamos finalmente a Granada, um verdadeiro tesouro do legado Muçulmano na Espanha.

Vista de Alhambra em Granada

Ao chegarmos na cidade, tivemos dificuldade com o estacionamento, já que o disponível no nosso hotel estava lotado (mesmo tendo solicitado a reserva com antecedência). Então esteja atento a isso!

Aliás, para quem deseja fazer o mesmo percurso que fizemos, fica a dica: os estacionamentos são caros (cerca de 20 euros por dia), por isso, faça as contas e verifique se é melhor devolver o carro e depois alugar novamente. No nosso caso, não sairia mais barato porque devolveríamos em outra cidade, então decidimos ficar os dois dias com o carro na garagem, já que em Granada dá para fazer praticamente tudo a pé e tem um ônibus circular que te deixa em frente ao Complexo de Alhambra.

Quanto tempo ficar em Granada?
Nós ficamos 2 dias inteiros (03 noites) e deu para ver o básico, ou seja, o centro histórico, os principais bairros e, claro, Alhambra. Mas acreditamos que 3 dias seja o ideal para conhecer bem a cidade e aproveitar todos os encantos que ela oferece.

Além disso, no inverno é possível visitar no esquema bate-e-volta a estação de ski que fica próxima de Granada (cerca de 40km) e é também o ponto mais alto da Espanha, a Sierra Nevada.

Quando ir a Granada?
Nós fomos no início de abril de 2016 e achamos um tempo ótimo! Os dias eram bem ensolarados, com céu azul, temperatura em torno dos 20°C e as atrações turísticas não estavam lotadas.

Acreditamos que Granada (e a Andaluzia em geral) pode ser visitada em qualquer época do ano, mas evite o auge do verão para não pegar um tempo muito quente e a cidade lotada.

Onde ficar em Granada?
Pesquisando os pontos turísticos da cidade, decidimos ficar em algum hotel que fosse próximo à Gran Via, a principal avenida da cidade do centro da cidade.

Assim, reservamos o Hotel Granada Five Senses pelo Booking.com (clique aqui para reservar) e não nos arrependemos. Além de ser próximo aos principais pontos de interesse na cidade, a região ainda conta com um ótimo comércio, muitos bares, cafés e restaurantes. O Hotel em si é simples, porém bem decorado e com ótimo atendimento. Em nossa opinião, foi uma escolha com excelente relação custo x benefício. Se você não puder, ou não quiser, ficar neste Hotel, pode escolher essa região sem medo que você estará bem localizado.

O que fazer em Granada?
Quando começamos a pesquisar sobre Granada, tivemos dificuldades em achar blogs que falassem sobre a cidade além da sua atração mais famosa: Alhambra. 

O complexo de Alhambra realmente é fantástico e muitas pessoas fazem de Granada apenas uma parada rápida para conhecê-lo, mas felizmente descobrimos que a cidade tem muito mais a oferecer e muitas pessoas simplesmente passam batido.

Recomendamos muito que você dedique pelo menos 1 dia e meio ou 2 dias inteiros para conhecer melhor o resto da cidade. Por isso, vamos falar sobre Alhambra em um post à parte e resolvemos dedicar este post exclusivamente às outras atrações da cidade.

Listamos abaixo os pontos interessantes da nossa visita:

  • Free walking tour:
Como já falamos em outros posts, sempre procuramos os tours gratuitos para conhecermos melhor a cidade e também para aproveitar as explicações interessantes dos guias.

Em Granada, fizemos o tour com o guia Asier, da Feel the City Tours, e vale muito a pena, principalmente para quem tem pouco tempo na cidade, como era o nosso caso! Ao final do tour de cerca de 2 horas e meia, cada participante voluntariamente dá uma gorjeta ao guia se achar que o tour valeu a pena.


Ponto de encontro para o Free Walking Tour

Além do free tour tradicional, fizemos um tour pago pelo bairro cigano que contaremos mais a frente.

  • Plaza Isabel La Católica:
É o ponto de partida do free walking tour, ponto do ônibus circular que vai para Alhambra e uma das principais praças da cidade.


Plaza Isabel la Católica

Esta praça está situada no final da Gran Via e no centro da Praça há uma estátua da Rainha Isabel (A Católica) dando um pergaminho a Cristóvão Colombo. O monumento foi erguido em comemoração aos 400 anos de Descobrimento das Américas e representa o momento em que a rainha concede a autorização para a grande viagem de Cristóvão Colombo.

Representação da autorização dada a Colombo pela Rainha Isabel

  • Gran Via:
É a principal avenida do centro de Granada e ficar próximo dela é garantia de uma boa localização, com bastante comércio, bares e restaurantes nos arredores.

Gran via vista a partir da Praça Isabel La Católica

  • Catedral e Capela Real:
A Catedral de Granada possui arquitetura com elementos góticos e renascentistas. No século XVI foi considerada um símbolo de poder da nova ordem cristã, por isso foi construída onde se situava uma antiga mesquita.

Interior da Catedral de Granada
Ao contrário de muitas catedrais construídas na mesma época, o interior da Catedral de Granada é predominantemente branco. Dessa forma era possível passar a impressão de que o templo era maior do que realmente é, tornando-se assim mais imponente.

A entrada para a Catedral custava 5 Euros por pessoa, com audioguia incluído em diversos idiomas, inclusive em português.

Anexa à Catedral, encontra-se a Capela Real, onde estão sepultados alguns membros da família dos reis católicos, como Isabel, Fernando, Joana (a louca) e Felipe (o belo).

Capilla Real, anexa à Catedral de Granada

Esse mausoléu possui dois conjuntos de túmulos feitos em mármore Carrara branco. Em outra parte da capela, você encontrará uma coleção de pinturas que pertenciam à rainha Isabel.

A entrada para a Capela Real é feita de forma separada à Catedral e o ingresso custa 4 Euros por pessoa. Mas atenção porque, ao contrário da Catedral, a Capela Real fecha entre 13:30h e 16h para a siesta!

  • La Alcaicería:
Bem próximo à Catedral, podemos encontrar a Alcaicería. O que foi antigamente o Grande Bazar de Granada, entre as praças Nueva e Bib-Rambla, hoje ocupa uma área bem menor, mas mantém a estrutura de ruelas estreitas que obrigavam os compradores a percorrer quase todo o mercado antes de ir embora.

Uma das entradas de La Alcaiceria

A origem do nome Alcaiceria é árabe e originou-se quando o Imperador Justiniano deu aos árabes o direito de vender a seda. Eles expressaram sua gratidão chamando todos os bazares de al-Kaysar-ia, ou seja, "o lugar de César".

Se a arquitetura do antigo mercado foi preservada, os itens à venda não lembram em nada o antigo bazar. Em vez de sedas e especiarias, hoje o mercado é dedicado basicamente à venda de recordações para os turistas como roupas, sapatos, lustres, tapeçaria, canecas, capas para almofadas e outros souveniers.

  • Praça Bib-Rambla:
Na saída da Alcaiceria você encontrará a Bib-Rambla, uma simpática e agradável praça cercada por bares e restaurantes.

Mas nem sempre foi assim. Usada desde a idade média, a praça ficava em uma das portas de entrada da cidade e já foi palco de grandes lutas, festas de todo tipo, autos de fé da Inquisição Espanhola e touradas. Felizmente hoje o local é seguro para todos e visita certa para todos os turistas que passam pela cidade.

  • Plaza Nueva & Real Chancillería:

    A Plaza Nueva está situada a cerca de 500 metros da Plaza Bib-Rambla, do outro lado da Gran Via. A praça também é muito agitada e conta com muitos restaurantes ao redor.


    Plaza Nueva, no centro de Granada

    Além disso, a Plaza Nueva abriga a Real Chancilleria - Sede do Supremo Tribunal da Andaluzia. Foi o primeiro edifício de seu porte a ser construído na Espanha para abrigar um tribunal de direito.

    • Albayzín & Sacromonte:
    Como dissemos anteriormente, contratamos o tour pago pelos bairros históricos de Albayzín e Sacromonte com a Feel the City Tour. O passeio nos custou 12 Euros por pessoa e achamos que valeu muito a pena, principalmente porque não havia mais ninguém para fazer o passeio neste dia e tivemos a possibilidade de ter um guia exclusivamente para nós por mais de 2 horas e meia! :)

    Sacromonte é um bairro tradicionalmente cigano e mais pobre que o resto da cidade histórica, com moradores de rua e pedintes pelo caminho. Inicialmente ficamos um pouco receosos se teria algum perigo, mas durante o trajeto não vimos nada de anormal e, segundo o guia, não há problemas em andar por ali durante o dia, embora ele não recomendasse caminhar sozinho pelas ruas escuras à noite.

    Ruas estreitas e calçamento de pedra em Sacromonte 

    Muitas casas foram construídas aproveitando-se de cavernas e fendas feitas dentro da rocha da montanha, já que os ciganos não podiam morar dentro das fronteiras de Granada.

    Casas construídas nas cavernas

    Dessa forma, era possível construir uma casa barata, com temperatura sempre constante por volta dos 15°C (independente da temperatura externa). O único problema em construir uma casa dentro de uma caverna é garantir a entrada de luz do sol, mas eles resolveram de forma simples: a janela da sala fica virada para a rua, onde a família passa o dia reunida e os quartos são feitos "mais para dentro" da montanha, onde há menos iluminação natural, desnecessária para quem está dormindo.

    Já Albayzin é um bairro de origem muçulmana de casinhas brancas imediatamente à frente da montanha de Alhambra, declarado Patrimônio Mundial junto com Alhambra em 1994.

    Casinhas brancas que pintam a paisagem em Albayzín

    O bairro ainda preserva suas ruas estreitas e sinuosas e sua arquitetura de influência árabe. Sendo um dos principais pontos de interesse dos turistas que visitam Granada, o bairro de Albayzín guarda muitas surpresas, como uma igreja de freiras que vivem na clausura. A igreja é aberta ao público e as freiras ficam separadas dos fiéis por grades. Chegamos na igreja bem na hora em que as freiras estavam cantando e presenciamos um grande espetáculo de música e fé!

    Freiras enclausuradas cantando no interior da igreja

    Continuando o passeio, chegamos a um dos pontos turísticos mais famosos da cidade, o Mirador de San Nicolás. É daqui que a maior parte dos turistas tira a famosa foto com o complexo de Alhambra de perfil. Mas a fama tem seu preço e o local fica constantemente lotado.

    Mirador de San Nicolás

    Aí vai mais uma vantagem de fazer o passeio pago com guia exclusivo: o guia conhecia locais com vistas ainda melhores de Alhambra e completamente vazios. Assim, pudemos apreciar a paisagem sem tumulto, tiramos a foto inicial deste post e, é claro, tiramos nossas fotos turistando com Alhambra ao fundo!

    Albayzin com Alhambra ao fundo 

    Mesmo que você não faça o passeio guiado pelo bairro de Albayzín, você TEM que passar por aqui um minutinho para apreciar uma das grandes maravilhas da Espanha no seu ângulo mais fotogênico. :)

    Alhambra

    Como há muito para contar sobre Alhambra, o próximo post será dedicado a esse lugar incrível que deve ser parada obrigatória em sua viagem pela Espanha! Não deixe de conferir nossos relatos de nossa viagem de 21 dias pela Espanha (clique AQUI), acompanhe os próximos posts e Vamos pelo Mundo!


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